A Sombria Verdade por Trás de Branca de Neve: A Versão Original dos Irmãos Grimm
Branca de Neve: A versão sombria dos Irmãos Grimm que a Disney suavizou
Quando pensamos em Branca de Neve, a imagem que geralmente vem à mente é a da princesa doce, de pele branca como a neve, cantando com passarinhos e sendo salva por um beijo de amor verdadeiro. A versão da Disney, lançada em 1937, é um marco na história da animação — e foi o primeiro longa-metragem animado produzido pelo estúdio. Mas o que pouca gente sabe é que essa história é baseada em um conto muito mais antigo, e muito mais sombrio: a versão original dos Irmãos Grimm.
Neste artigo, vamos mergulhar nas origens do conto de Branca de Neve, analisar as principais diferenças entre a versão da Disney e a dos Irmãos Grimm, e refletir sobre o que motivou tais mudanças. Prepare-se para descobrir que nem todo conto de fadas começou com “era uma vez” — e nem sempre terminava com “viveram felizes para sempre”.
A versão da Disney: luz, música e final feliz
A animação Branca de Neve e os Sete Anões é um clássico incontestável. Lançada em plena década de 1930, encantou plateias ao redor do mundo com sua mistura de música, romance e magia. Na história, Branca de Neve é uma jovem princesa invejada por sua madrasta, a Rainha Má, que consulta um espelho mágico todos os dias para saber quem é a mais bela do reino. Quando o espelho passa a responder que Branca de Neve superou a rainha em beleza, ela decide matá-la.
A princesa foge para a floresta e encontra refúgio com sete anões que trabalham em uma mina. A Rainha tenta enganá-la, usando disfarces, e finalmente consegue envenená-la com uma maçã. Branca de Neve entra em um sono profundo e é colocada em um caixão de vidro. Eventualmente, um príncipe aparece, se encanta com sua beleza e a beija. O beijo quebra o feitiço, ela acorda, e os dois partem juntos para viver um final feliz.

A versão dos Irmãos Grimm: crueldade, vingança e castigo
Os Irmãos Grimm — Jacob e Wilhelm — foram acadêmicos alemães que se dedicaram a coletar e registrar contos populares da tradição oral europeia no início do século XIX. Sua missão era preservar a cultura popular da Alemanha, mas os contos que eles compilaram nem sempre tinham o tom encantado que conhecemos hoje. Muitos deles tinham elementos de violência, punição severa e moral rígida.
Na versão original de Branca de Neve, publicada pela primeira vez em 1812, os elementos básicos estão lá: a madrasta invejosa, o espelho mágico, os sete anões e a maçã envenenada. No entanto, há diferenças importantes:
- Tentativas múltiplas de assassinato: A Rainha tenta matar Branca de Neve três vezes — com um espartilho apertado que quase a sufoca, um pente envenenado e, por fim, a maçã.
- Nada de beijo mágico: O príncipe aparece, mas não a beija. Durante o transporte do caixão, um dos servos tropeça e a maçã envenenada se solta da garganta dela, fazendo com que acorde.
- Final sombrio: A Rainha Má é convidada para o casamento sem saber que é de Branca de Neve. Lá, é forçada a calçar sapatos de ferro em brasa e dançar até morrer, como punição.
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Por que a Disney suavizou a história?
Walt Disney e sua equipe sabiam que, para atingir o grande público, especialmente crianças, precisariam adaptar os contos de fadas europeus para um formato mais leve e otimista. A década de 1930, época do lançamento da animação, foi marcada pela Grande Depressão, e o público ansiava por escapismo, não por mais dureza.
Ao transformar os contos dos Irmãos Grimm em histórias encantadoras, a Disney criou uma fórmula que se tornaria padrão: foco em personagens carismáticos, música envolvente, vilões caricatos e finais felizes. Isso não apenas tornou os filmes mais acessíveis, mas também os tornou memoráveis e comercialmente viáveis.
O que permanece igual nas duas versões?
Apesar das diferenças de tom, algumas estruturas da narrativa foram mantidas em ambas as versões:
- A presença da madrasta invejosa como antagonista principal
- O uso de objetos mágicos (espelho, maçã)
- A importância da pureza, da inocência e da bondade como valores centrais da heroína
- O simbolismo da morte e renascimento (o “sono da morte” e o “despertar”)
Conclusão: da escuridão à magia
A transformação da Branca de Neve dos Irmãos Grimm em um ícone da Disney é um exemplo claro de como as histórias evoluem com o tempo. O que começou como um conto moralista e sombrio, repleto de castigos e perigos reais, se tornou um conto mágico e reconfortante para todas as idades.
No fim, ambos os formatos têm seu valor: a versão original nos lembra da dureza da vida e das consequências das escolhas, enquanto a versão da Disney nos dá esperança de que, mesmo nos piores momentos, o amor e a bondade podem vencer.
Seja você fã da versão clássica ou da sombria, o importante é reconhecer o poder que essas histórias têm de atravessar gerações — e de se adaptar ao mundo ao nosso redor.

